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RGPD

Artigo 77

Poderes das autoridades responsáveis pela proteção dos direitos fundamentais e cooperação com as autoridades de fiscalização do mercado

1.   As autoridades ou organismos públicos nacionais que supervisionam ou asseguram o respeito das obrigações previstas na legislação da União que protege os direitos fundamentais, incluindo o direito à não discriminação, têm poderes para solicitar e aceder a quaisquer informações ou documentação criadas ou mantidas, da autoridade de fiscalização do mercado competente, nos termos do presente regulamento numa língua acessível e num formato legível por máquina, por via eletrónica, sempre que o acesso a essas informações ou documentação for necessário para o exercício dos seus mandatos dentro dos limites das respetivas jurisdições. O presente artigo aplica-se sem prejuízo das competências, das atribuições, dos poderes e da independência das autoridades ou dos organismos públicos nacionais competentes no âmbito dos respetivos mandatos.

1-A.   Sujeito às condições previstas no presente artigo, a autoridade de fiscalização do mercado concede à autoridade ou organismo público competente a que se refere o n.o 1 acesso a essas informações ou documentação, nomeadamente solicitando, quando necessário e sem demora injustificada, essas informações ou documentação ao prestador ou ao responsável pela implantação.

1-B.   As autoridades de fiscalização do mercado e as autoridades ou organismos públicos a que se refere o n.o 1 cooperam estreitamente e prestam-se a assistência mútua necessária ao exercício dos respetivos mandatos, com vista a assegurar a aplicação coerente do presente regulamento e do direito da União em matéria de proteção dos direitos fundamentais e simplificação de procedimentos, no respeito das respetivas competências, atribuições, poderes e independência. Tal inclui, designadamente, o intercâmbio de informações, sempre que necessário, para a supervisão ou execução eficaz do presente regulamento e de outra legislação pertinente da União.

2.   Até 2 de novembro de 2024, cada Estado-Membro deve fazer uma lista das autoridades ou organismos públicos a que se refere o n.o 1 e tornar essa lista acessível ao público. Os Estados-Membros devem notificar a lista à Comissão e aos outros Estados-Membros e mantê-la atualizada.

3.   Se a documentação a que se refere o n.o 1 não for suficiente para determinar se ocorreu uma infração das obrigações impostas pela legislação da União que protege os direitos fundamentais, a autoridade ou organismo público a que se refere o n.o 1 pode apresentar um pedido fundamentado à autoridade de fiscalização do mercado para organizar a testagem do sistema de IA de risco elevado com recurso a meios técnicos. A autoridade de fiscalização do mercado deve organizar a testagem com a estreita participação da autoridade ou organismo público requerente num prazo razoável após o pedido.

4.   Todas as informações ou documentação que as autoridades ou organismos públicos nacionais a que se refere o n.o 1 do presente artigo obtenham devem ser tratadas em conformidade com as obrigações de confidencialidade estabelecidas no artigo 78.o.

Perguntas comuns

Perguntas frequentes

Que poderes têm as autoridades públicas quanto aos sistemas de IA de risco elevado?
As autoridades públicas responsáveis pela proteção dos direitos fundamentais podem solicitar e aceder, junto da autoridade de fiscalização do mercado competente, a informações ou documentação criadas ou mantidas nos termos do regulamento, sempre que tal for necessário para exercerem os seus mandatos, dentro dos limites da sua jurisdição. Se a documentação não for suficiente, podem pedir a essa autoridade que organize a testagem do sistema de IA de risco elevado.
Como saber quais são as autoridades responsáveis pela proteção dos direitos fundamentais?
Cada Estado-Membro deve fazer uma lista das autoridades ou organismos públicos nacionais que supervisionam ou asseguram o respeito das obrigações previstas na legislação da União que protege os direitos fundamentais, incluindo o direito à não discriminação. A lista devia estar acessível ao público até 2 de novembro de 2024, deve ser notificada à Comissão Europeia e aos outros Estados-Membros e tem de ser mantida atualizada.
O que podem fazer as autoridades se a documentação sobre IA for insuficiente?
Se os documentos obtidos não forem suficientes para perceber se houve violação das normas que protegem os direitos fundamentais, as autoridades responsáveis podem solicitar formalmente que a autoridade encarregue da fiscalização dos sistemas realize testes técnicos nesse sistema de IA, participando depois ativamente nesses testes num prazo razoável após o pedido.
Como devem ser tratadas as informações sobre sistemas de IA obtidas pelas autoridades públicas?
Todas as informações e documentos que autoridades públicas nacionais obtiverem sobre sistemas de IA devem ser sempre tratados com confidencialidade, respeitando as regras definidas especificamente para proteger esses dados e documentos segundo as obrigações previstas no Regulamento Europeu sobre Inteligência Artificial da União Europeia.

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